- “Festival de Performances? Vai ser um show de Drag Queens?” – foi essa a primeira pergunta que me fiz ao receber o telefonema do Júlio – aquele meu ex-colega de trabalho.
Mas não era. Não sei bem o que era. Na verdade, as tais performances me pareceram músicas do Arnaldo Antunes: acho legal, mas não entendo merda nenhuma!
- “O melhor vai ser depois das performances! Vai rolar um barzinho ali ao lado” – disse o Júlio, assim que reclamei pela primeira vez.
Ele estava com um monte de amigos – dos quais eu só conhecia um – e fomos os primeiros a chegar no bar.
Meia luz. Decoração rústica. O bar foi feito no improviso, aproveitando as “ruínas” de uma casa ao lado do teatro onde foram feitas as performances. Sentei-me em um dos degraus da escada e conversava com Júlio entre um e outro copo de cerveja. Ele me falou sobre seus casos e eu falei sobre a minha “falta de casos”.
Minha vez de comprar a cerveja. Vi que o rapaz do caixa era bem bonitinho. Um sorrisinho discreto de minha parte. Uma piada – como sempre – e o risco de começar a parecer um idiota:
- “Estudante paga meia cerveja?”
Resposta negativa. O jeito, então, era pagar os R$4 na latinha. Depois dessa fui ao banheiro.
O banheiro seguia a mesma decoração “rústica” de toda a festa. Entre cavaletes e fitas zebradas, o banheiro era todo forrado com um papel branco e algumas canetas penduradas, para que pudesse haver uma “interação” entre os organizadores e os freqüentadores do bar.
Entre algumas frases que pareciam, literalmente, filosofia de banheiro e alguns “Ronaldo”, eu escrevi que tinha gostado daquilo e que queria voltar outras vezes. Um pouco alto, escrevi que só tava faltando que os homens bonitos se aproximassem...
Depois de mais umas cervejas, voltei ao banheiro e escrevi: “Meldelz. O cara do caixa é muito gato! Ele tem MSN? Orkut? Telefone? Alguma coisa??”. A que ponto chega a minha falta de vergonha, né?
Não satisfeito, fui até o caixa comprar outra cerveja.
- “Tem um recado pra você lá no banheiro... Acabei de ler” – eu disse pro rapaz.
- “Mesmo?” – disse ele surpreso.
- “Mesmo! O cara do caixa, com a mão quebrada, só pode ser você... Valeu” – e saí.
Na próxima ida ao banheiro, li uma resposta: “Ainda estou no caixa. Procure-me”. Acho que nunca demorei tanto pra fazer um xixi. Pensava se ia ou não... Saí de lá e contei a história pro Júlio. Voltei pro banheiro e completei o recado: “Dá pra comprar uma dose de coragem no caixa?”.
Júlio saiu me puxando pra comprarmos outra cerveja. Nos debruçamos no balcão e ele conversou alguma coisa com o rapaz. Eu ficava olhando, mas não conseguia entender o que eles diziam. Quando perguntei, ele disse que não era nada.
Fomos dançar. Júlio me abraçava, dizendo que gostava muito de mim. Me deu alguns selinhos, e logo se agarrou com um cara lá na pista. Como não conhecia nenhum dos amigos dele, fiquei lá, dançando sozinho... E olhando pro caixa.
Hora de ir embora. A carona me esperando. Passei pelo caixa e dei um “tchau”, de longe. O rapaz então fez um sinal com a mão, me chamando pra ir até lá. Fui... tremendo...
- “Vim só te procurar...” – “mesmo que não pareça, fui eu quem deixou o recadinho no banheiro. Desculpa por ter te passado a cantada mais idiota que você já recebeu” – eu disse.
- “Até que foi bonitinha!” – disse ele sorrindo.
- “E então... vai me dar seu telefone? Seu Orkut?”
Anotei seu MSN e tive que ir.
Me despedi dele com um beijo no rosto. Segurando suas mãos, fui me afastando e dizendo que “então qualquer hora a gente conversa”.
Saí do bar meio flutuando... Encontrei com o Júlio dizendo que o cara “beija bem demaaaais” e fui embora.
Duas semanas até que ele aparecesse no MSN... Nossa conversa até que flui. Ele parece ser um cara legal. Parece maduro. Meu namorado perfeito, mas, como sempre, mora longe.
Estuda
Torça por mim, amigo!
Até a próxima.