terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

PlayList 2010 - Selo

Gente, gente... olha eu aqui de novo falando sobre música! O J.M me deu esse selo e a idéia era que eu indicasse alguns artistas que, na minha opinião, estarão em evidência em 2010.

Confesso que, se eu fosse listar os artistas que eu acredito que irão se dar bem, minha lista seria parecida com a maioria das outras pessoas que receberam esse selo. Confesso também que a Lady Gaga me desperta certa repulsa! Não gosto dela mesmo que digam que 'ela é talentosa' ou que 'ela é a nova Madonna' . Apesar disso, sei que (contra minha vontade) ela vai ser um dos nomes mais falados de 2010, mas, não posso perder a chance de NÃO falar dela aqui.

Afinal de contas, o blog é meu, o selo é meu e eu falo de quem eu quiser... Tá! A crise de egoísmo passou e eu resolvi compartilhar, com quem quiser, os artistas que eu ouvirei em 2010 e, quem sabe, farão algum sucesso, né?


1° - Alanis Morissette - Alguém imaginou que ela estaria na lista? Certeza que não, né? Minha "musa" nas horas boas e ruins. Sempre com uma musiquinha que me deixa pra cima (ou pra baixo!), me faz pensar e me ajuda a sair da fossa. Acho que 2010 vai ser (mais) um ano 'morto' pra Alanis. Com o último CD lançado em 2008, acho q só podemos esperar algo novo lá por 2013 - no mínimo! Mesmo assim, ela sempre faz parte da minha playlist.


2° - Chicas - Mesmo gostando mais de 'chicos' (que piada infame, hein?), torço pra que Chicas recebam o merecido reconhecimento em 2010. Com música na trilha de abertura de novela, pensei que elas logo iriam estourar. Me enganei. Mas, deixo aqui registrado que as Chicas são muito mais que "Caras e Bocas". Eu recomendo!


3°- Roberta Sá - Minha lista pende pro lado da MPB e, por causa disso, não poderia deixar a Roberta Sá fora dessa. Sou fã! E isso basta, né? Acho que é meio impossível não gostar da Roberta! Exceto para aqueles que tem aversão total ao samba. Quem não tem nada contra, ou pelo menos, simpatiza com a música brasileira, facilmente se torna fã. Quer arriscar?


4°- Amy Winehouse - Eu espero que em 2010 ela finalmente volte com um CD novo. Tanto talento não pode ser desperdiçado! Sempre leio que ela tem mantido o tratamento e (dizem) estar livre das drogas. Drogada ou não, espero que ela volte logo. Mas, enquanto não há nenhum lançamento, seus primeiros CD's continuam, na minha opinião, entre os melhores dos últimos tempos.


5°- Paolo Nutini - Conheci esse cara fazendo um cover de Amy Winehouse. Gostei da voz e resolvi procurar seu rosto. E, meu Deus, que rosto! Ainda assim, juro que não é só por esse motivo que ele, hoje, está em minha playlist. O cara tem talento. A música dele é um misto de rock com música country, sei lá. Só sei que gostei. Não ouço falar muito dele aqui no Brasil, mas, sei que ele faz certo talento mundo afora.

Os indicados devem pegar o selo aqui no blog e dizer quem são os artistas que, na sua opinião, vão estar em evidência em 2010. Definida sua playlist, você vai indicar no mínimo três blogs para receber o selo!

Meus indicados são:

Conto de meninas - www.contodemeninas.blogspot.com
Pisando em Marte - www.pisandoemmarte.blogspot.com
Castellos de Areia - www.castellosdeareia.blogspot.com


PS: Obrigado pela paciência com minha demora pra postar! Prometo que o post tá chegando...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sobre as borboletas e seu livre arbítrio

Prometi uma carta menos “down” e, não sei se vou conseguir, mas acho que hoje trago, ao menos, certa esperança. E isso faz com que não seja completamente ruim ainda estar decepcionado com algumas coisas.

Acho que o jeito é mesmo não correr atrás de pessoas. Cada vez fico mais certo disso. Correr atrás no sentido de ficar me preocupando em quando a pessoa certa vai aparecer. Ou quando, no mínimo, vai aparecer alguma pessoa errada pra me fazer perder um pouco de tempo.

Lembra do cara que contei na última carta? Depois de um tempo sem conversar e de ter visto que ele havia me excluído do Orkut, pensei em mandar um email desaforado pra ele. Achei que merecia um mínimo de consideração, mas, refletindo melhor, vi que ele não me devia satisfação nenhuma. Nunca houve nada entre nós. Nada! A não ser o fato de ele alimentar minha esperança. Mas era uma esperança recíproca! Ele não me enganou, acho. Ele também tinha interesse. Se não tinha, nunca deixou isso claro.

A luz apaga porque já raiou o dia
E a fantasia vai voltar pro barracão
Outra ilusão desaparece quarta-feira
Queira ou não queira terminou o carnaval.

Foi bom eu não ter mandado o email porque, poucos dias depois, ele apareceu no MSN. Fui todo animado cumprimentá-lo e desejar um feliz ano novo. Conversamos normalmente e eu cheguei a comentar que pensei que não conversaríamos novamente. Eu realmente achei que o havia assustado. Ele negou. Disse que não tinha nada a ver e não saber o porquê de eu ter sido excluído da sua lista de “amigos” virtuais.

Dada a brecha, eu – e minha maldita cara de pau – logo perguntei quando iríamos nos ver. A resposta: “Agora fica difícil. Eu estou comprometido.”.

Murchei na mesma hora. E, precisei dizer isso a ele. Me sentiria melhor dizendo o quão decepcionado eu havia ficado ali, naquele exato momento. Ele pareceu ter ficado sem graça, pediu desculpas e disse que não queria que eu ficasse chateado. Chateado? Imagina! Que sejam felizes juntos...

Mentira.

Mas não faz mal, não é o fim da batucada
E a madrugada vem trazer meu novo amor
Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro
Come o couro no terreiro porque o choro começou


Fiquei sim chateado. Achei falta de consideração. Achei que eu merecia algo mais do que ser levado num banho-maria enquanto não aparecia ninguém mais interessante. Achei que poderia ter sido dito que, “sei lá, não rola”. Achei que não precisava continuar me tratando com apelidos carinhosos e gracinhas virtuais.

Por outro lado, me coloquei no lugar do cara e vi que, talvez, eu não o tenha agradado por completo. Talvez, com o passar dos dias e das conversas, ele tenha percebido que não era tudo o que ele esperou. Isso me faz sentir culpa. Culpa por decepcionar, mais uma vez, a uma pessoa. Mas, quer saber? Tô bem!

Já passou. Tão rápido quanto apareceu, o “tchuco” foi embora... Fazer o que, não é mesmo? Hoje li uma frase e isso me inspirou a te escrever: “O amor pode dar às pessoas o poder de despedaçar você”. Vi que o melhor a ser feito é não colocar expectativas nas pessoas e, por conseqüência, não dar a elas o poder de me despedaçar.

A gente ri
A gente chora
E joga fora o que passou
A gente ri
A gente chora
E comemora o novo amor.


Alguém já disse que devemos cuidar do nosso jardim pra que as borboletas venham até ele. E só as borboletas podem decidir a hora de vir. Então, estou aqui, com meus botões, pronto pra próxima borboleta!

Até!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eu já não sei...

Olá amigo,

É impossível não deixar que o ambiente externo me influencie nas cartas que te escrevo. Não queria ate aborrecer com meus problemas ou dramas, mas, talvez, por uma onda de “depressão” que se apossa de mim, essa carta tenha menos coisas boas do que eu desejaria te contar.

Não há nada de ruim comigo. Mas também não há nada de bom. A verdade é que nada acontece e isso me traz certo desespero.

As conversas no MSN com o rapaz que conheci na festa, e que te contei na última carta, esfriaram. Hoje, ele quase nem me cumprimenta mais. Pra compensar, apareceu outra pessoa. Me enchi de expectativas. E? Adivinha? Vou te contar...

Ele me adicionou no MSN com um recadinho simples: “Oi, quero conversar com você”. Eu nem me apressei em responder. Pra ser sincero, nem me empolguei muito à princípio. Pensei ser mais um daqueles que logo após as perguntas básicas, me questionaria se eu sou “ativo ou passivo” e, após poucas conversas, logo iria desaparecer.

Duas semanas depois, quando ainda não tínhamos nos encontrado online, recebo uma outra mensagem dizendo que ele ainda queria conversar comigo. Vi que, realmente, deveria haver algum interesse. Caso contrário, ele não iria me procurar. Dessa vez eu respondi e perguntei qual horário seria mais fácil de conversarmos. Sabendo disso, na mesma semana fiquei online e conversamos.

Logo no primeiro papo eu fiquei confuso. Um cara de 20 anos poderia mesmo querer algo sério? Ou mesmo que não fosse sério – afinal, nem falamos sobre isso – ele era diferente dos outros rapazes de 20 anos que eu conhecia até então. Ao mesmo tempo em que me senti empolgado, vi que, talvez, não pudesse ser aquilo tudo que eu esperava.

A verdade é que eu ainda não aprendi como não ter expectativa. E, no meu caso, expectativa é só um aviso de que vem decepção pela frente.

Com um pé atrás, continuamos conversando todos os dias. E ele, pra acabar de me confundir, era sempre carinhoso e atencioso comigo. Combinamos de, talvez, pegarmos um cinema para nos encontrarmos.

Semana corrida: ele estava cheio de provas e trabalhos na faculdade. Eu, compreensivo, fui adiando a saída. Não acho que fiz errado. Eu sempre dizia que, quando as coisas se acalmassem, queria muito vê-lo, sempre brincando e dizendo “se você ainda quiser me ver”.

Na semana de provas, a semana passada, conversamos poucos. Eu não queria atrapalhar e acabar sendo chato, então, decidi ficar por na minha, sempre disponível pra quando ele quisesse conversar. E ele realmente precisou. Ele dizia estar meio desesperado com as provas e tinha medo de ser reprovado. Eu, daqui, o aconselhava a ter calma e paciência por que as coisas realmente não seriam fáceis ao longo do curso, mas que, as dificuldades não deveriam ser motivo para a desistência.

Assim a semana se passou. Agora as férias chegaram e, de alguma forma, o papo esfriou. Eu propus de sairmos - quando ele quisesse - e a resposta foi um “não sei se posso sair”.

Sinto que, talvez, ele possa estar me evitando, mas, às vezes acho que isso pode ser cisma da minha cabeça.

Não é a primeira vez que conheço alguém, conversamos pela internet e o papo acaba nem de se tornando real. Agora quero que você cumpra o seu papel de amigo e me responda: a culpa é minha?

Nossa! Quanto drama, hein? Prometo que da próxima vez vou exagerar menos.

Até.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Cara de pau

Sábado à noite. Estava em casa, fazendo um lanche.

- “Festival de Performances? Vai ser um show de Drag Queens?” – foi essa a primeira pergunta que me fiz ao receber o telefonema do Júlio – aquele meu ex-colega de trabalho.

Mas não era. Não sei bem o que era. Na verdade, as tais performances me pareceram músicas do Arnaldo Antunes: acho legal, mas não entendo merda nenhuma!

- “O melhor vai ser depois das performances! Vai rolar um barzinho ali ao lado” – disse o Júlio, assim que reclamei pela primeira vez.

Ele estava com um monte de amigos – dos quais eu só conhecia um – e fomos os primeiros a chegar no bar.

Meia luz. Decoração rústica. O bar foi feito no improviso, aproveitando as “ruínas” de uma casa ao lado do teatro onde foram feitas as performances. Sentei-me em um dos degraus da escada e conversava com Júlio entre um e outro copo de cerveja. Ele me falou sobre seus casos e eu falei sobre a minha “falta de casos”.

Minha vez de comprar a cerveja. Vi que o rapaz do caixa era bem bonitinho. Um sorrisinho discreto de minha parte. Uma piada – como sempre – e o risco de começar a parecer um idiota:

- “Estudante paga meia cerveja?”

Resposta negativa. O jeito, então, era pagar os R$4 na latinha. Depois dessa fui ao banheiro.

O banheiro seguia a mesma decoração “rústica” de toda a festa. Entre cavaletes e fitas zebradas, o banheiro era todo forrado com um papel branco e algumas canetas penduradas, para que pudesse haver uma “interação” entre os organizadores e os freqüentadores do bar.

Entre algumas frases que pareciam, literalmente, filosofia de banheiro e alguns “Ronaldo”, eu escrevi que tinha gostado daquilo e que queria voltar outras vezes. Um pouco alto, escrevi que só tava faltando que os homens bonitos se aproximassem...

Depois de mais umas cervejas, voltei ao banheiro e escrevi: “Meldelz. O cara do caixa é muito gato! Ele tem MSN? Orkut? Telefone? Alguma coisa??”. A que ponto chega a minha falta de vergonha, né?

Não satisfeito, fui até o caixa comprar outra cerveja.

- “Tem um recado pra você lá no banheiro... Acabei de ler” – eu disse pro rapaz.

- “Mesmo?” – disse ele surpreso.

- “Mesmo! O cara do caixa, com a mão quebrada, só pode ser você... Valeu” – e saí.

Na próxima ida ao banheiro, li uma resposta: “Ainda estou no caixa. Procure-me”. Acho que nunca demorei tanto pra fazer um xixi. Pensava se ia ou não... Saí de lá e contei a história pro Júlio. Voltei pro banheiro e completei o recado: “Dá pra comprar uma dose de coragem no caixa?”.

Júlio saiu me puxando pra comprarmos outra cerveja. Nos debruçamos no balcão e ele conversou alguma coisa com o rapaz. Eu ficava olhando, mas não conseguia entender o que eles diziam. Quando perguntei, ele disse que não era nada.

Fomos dançar. Júlio me abraçava, dizendo que gostava muito de mim. Me deu alguns selinhos, e logo se agarrou com um cara lá na pista. Como não conhecia nenhum dos amigos dele, fiquei lá, dançando sozinho... E olhando pro caixa.

Hora de ir embora. A carona me esperando. Passei pelo caixa e dei um “tchau”, de longe. O rapaz então fez um sinal com a mão, me chamando pra ir até lá. Fui... tremendo...

- “Vim só te procurar...” – “mesmo que não pareça, fui eu quem deixou o recadinho no banheiro. Desculpa por ter te passado a cantada mais idiota que você já recebeu” – eu disse.

- “Até que foi bonitinha!” – disse ele sorrindo.

- “E então... vai me dar seu telefone? Seu Orkut?”

Anotei seu MSN e tive que ir.

Me despedi dele com um beijo no rosto. Segurando suas mãos, fui me afastando e dizendo que “então qualquer hora a gente conversa”.

Saí do bar meio flutuando... Encontrei com o Júlio dizendo que o cara “beija bem demaaaais” e fui embora.

Duas semanas até que ele aparecesse no MSN... Nossa conversa até que flui. Ele parece ser um cara legal. Parece maduro. Meu namorado perfeito, mas, como sempre, mora longe.

Estuda em Ouro Preto mas, segundo ele, está sempre em BH. Ficou combinado de que quando ele vier, vamos nos ver. Agora é ver o que rola e se minha cara de pau vai voltar a funcionar.

Torça por mim, amigo!

Até a próxima.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O que eu não sou

Oi amigo, tudo bem? Relutei um pouco antes de te escrever essa carta por achar que, talvez, pudesse não ser bem compreendido por você. Vou contar um caso que aconteceu comigo há um tempo atrás.

No meu último emprego, trabalhei ao lado de rapaz que era gay. Assumido. Durante todo o tempo que trabalhamos juntos, nós tivemos uma relação bem legal, de onde resultou certa amizade.

Júlio é daqueles que sempre tem uma história pra contar. Eu, sempre ouvindo e achando graça. Às vezes ele terminava de contar e dizia alguma coisa do gênero “ele não é lindo?” ou “homem é bom demais, não é?”. Eu, sem graça pela presença de um outro colega na sala, apenas ria e desconversava.

Eu nunca disse que era gay, e ele nunca me perguntou. Dizia apenas que “se você fosse dos nossos, iria fazer sucesso”. Eu, de novo, apenas ria e duvidava. “Será?”.

Na festa de final de ano da empresa, com um pouco de cerveja na cabeça, disse a uma outra colega – e amiga desse rapaz há muito tempo – que já tinha me relacionado com outros homens. Ela também confessou que já tinha ‘experimentado’ outra menina, mas que não havia gostado.

Na hora de ir embora, ao me despedir de Júlio, ele fez algum comentário – que não me lembro muito bem qual foi – e logo se corrigiu:

- “Desculpa, eu esqueci que você é homem...”

Eu ri, dizendo que nem era tãããão homem assim. Ele, aproveitando, disse em tom mais alto que sempre soube que eu era mulher.

- “Não, velho! Sou homem, porra!” – eu disse, meio bravo.

Não sei se já disse isso em outra carta, mas acontece que, depois que eu contei pra minha irmã sobre eu ser gay, ando com uma vontade fudida de sair contando pra todo mundo. Mas eu paro, penso e não encontro uma razão pra isso.

E é isso que, parece, Júlio não percebeu. Em outras conversas – já fora do trabalho – falei sobre meus lances e até paquerei um cara perto dele. É fato que sou gay! E não me importo que todos saibam...

Eu ter dito que “não me importo que todos saibam” despertou nele um papo de que eu tenho que me assumir e tal, e que “juntos, nós temos mais força”.

Oi? Juntos? Quem? Eu e a comunidade gay? Já imagino uma turma enorme de gays na minha porta, fazendo campanha para que meu pai me aceite! Não rola! Não dá.

Tentei convencê-lo de que, pra mim, isso é bem claro. Eu sou gay! Mas precisa sair espalhando??

“Oi, muito prazer. Eu sou o Théo. Tenho 24 anos. Gosto de doce de leite. Minha cor favorita é verde e sou gay.”

Isso acrescenta o que na minha vida? Só mais um rótulo (eu acho) e é nessa parte que acho que posso ser mal compreendido. Veja bem, amigo. Vamos com calma...

Eu sei que, uma hora, meus pais vão ter que saber sobre isso. Óbvio. Mas precisa mesmo que meus avós, que já passam dos 80 anos, saibam com quem eu durmo? Precisa daquela prima distante, lá do interior, saber que “o filho da fulana é gay”? Não! E até que me convençam do contrário, vou continuar pensando assim. Apenas as pessoas que realmente precisam saber sobre isso, saberão – no que depender de mim.

Vou sozinho, ou com alguns, poucos e bons, amigos enfrentando as situações que, com certeza, aparecerão e que, com certeza, não serão fáceis.

Pode ser medo, ou até mesmo um preconceito? Pode, é claro. Então estou aqui, me assumindo um medroso ou preconceituoso.

Consegui me fazer ser entendido? Desculpa se não... Me escreva de volta dizendo o que você achou e, quem sabe, isso não renda assunto pra uma outra carta, não é?

No mais, silêncio! Não conte a ninguém! (brincadeira!!!)

Grande abraço.

Até!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Garoto narciso

Eu tinha acabado de ler uma poesia que meu amigo enviaria ao seu namorado. Ele era bom com poesias. Em poucas linhas, sintetizou todo um relacionamento. Eu que, de longe, acompanhei todas as fases do namoro, consegui enxergar toda a profundidade daquelas palavras.

“- Queria saber escrever poesias” – eu disse.

“- E eu queria saber escrever assim, como você” – ele respondeu.


Eu não escrevo pra ninguém

E nem pra fazer música

E nem pra preencher o branco

Dessa página linda


Depois disso, ele me disse que “você e a Alanis conseguem escrever bem sobre os seus relacionamentos”.

Quem?? Alanis? Alanis Morissette? Fala sério, né? Porque, tipos, Alanis é a pessoa mais foda que existe! Ela tem sempre algo a dizer. Se precisar sair do fundo do poço, Alanis te ajuda. Quer dar um fora “com classe”, Alanis te ajuda. Tá com dor de cotovelo? Desliga o sertanejo e vá ouvir Alanis. Está feliz e achando tudo lindo? Alanis... Ela tem uma música pra cada momento da sua vida, tenho certeza.


Eu me entendo escrevendo

E vejo o que não tem maldade

Só tem eu e esse branco

Ele me mostra o que eu não sei

E me faz ver o que não tem palavras


Eu mesmo me lembro de quando “terminei” meu “namoro” virtual e deixei que Alanis falasse por mim. Ela disse que “eu pensei que seríamos felizes juntos, mas eu estava enganado”. Disse que “eu fui recatado por você, fui submisso à você e eu me cansei”. Disse que “você foi meu melhor amigo, você foi meu amante, você foi meu mentor, você foi meu irmão, você foi meu parceiro, você foi meu professor” e muito mais. O jeito foi pedir desculpas pela minha falta de criatividade, até mesmo na hora de dar fim ao namoro!


Por mais que eu tente

São só palavras

Por mais que eu me mate

São só palavras


Mas, eu ainda estou tão surpreso pela comparação. O que Alanis e eu temos em comum? Ela tem uma enorme cabeleira, eu ando até perdendo um pouco dos cabelos. Ela teve relacionamentos que duraram por muito tempo, e eu? Haha... nem falo nada! Ela tem uma carreira estável e de sucesso. Eu? Desempregado e falido!

Num ponto, combinamos: ela também já levou pé na bunda. Já foi “trocada”. Mas foi trocada pela Scarlet Johanson. Eu? Hunf...

Essa carta pode até parecer uma “pregação”. Para tentar fazer uma lavagem cerebral e te convencer a ouvir Alanis Morissette. Mas, não. Não é isso! Definitivamente. É só uma gracinha. A verdade é que eu estou “me sentindo” depois dessa comparação. Só queria me exibir pra você, amigo.

Um abraço.

“Théo Morissette”

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

C’est fini... nosso love chegou ao the end

Acabou. Infelizmente, com certeza. Mas tudo se acaba um dia, certo?
Seria hipocrisia de minha parte, aproveitar essa carta pra direcionar uma porção de palavras ríspidas a você.

Fomos felizes juntos. E o que passamos ninguém vai conseguir esquecer.

Eu não queria que acabasse... Não mesmo. Até o último momento, eu pensei que poderíamos ser felizes juntos.

Você é inseguro e não está pronto

Isto deve significar que eu te quero

você está indisponível e desinteressado

E pensa que eu só estou com você por conforto


Fico pensando quais seriam os motivos que levaram a esse fim. Penso, mas não consigo apontar nenhum deles. Na verdade, acho que foram vários, não é?

Imaturidade. Pequenos desentendidos foram transformados em grandes brigas... Egoísmo. Coisas pequenas tomaram proporções enormes.

Posso estar enganado em culpar você pela maioria das atitudes egoístas. Quem via de fora, me disse que também fui egoísta algumas vezes... Mas, a meu ver, você foi realmente o responsável pela maioria delas.


Um milhão de vezes, por um milhão de maneiras, eu tentarei mudar você
um milhão de meses e um milhão de dias tentarei te convencer...
eu tenho esperado por você e me adaptado por você e eu estou cansado

Eu tenho cedido a você e permitido você e eu estou acabado

Acho que cedi demais. E uma relação onde uma parte cede mais que a outra tende mesmo a dar errado. Infelizmente, mais uma vez. Você é uma pessoa especial pra mim e vai continuar, pra sempre, sendo o meu “príncipe às avessas”. O melhor príncipe errado que eu poderia ter...


Você é jovem demais, ou velho demais, Ou você simplesmente não está influenciado
Você está adormecido ou você está recusando seja essa minha dica pra desejar você
Várias vezes de várias maneiras tentarei extrair amor de você
Várias horas e de várias maneiras, comerei as migalhas jogadas por você


Sim, eu realmente cedi demais. Eu estava sempre à mão, quando você precisava. Sempre pronto pra aceitar todos os “nãos” que você me direcionava. Compreensivo com suas viagens, seu trabalho, seu estudo, seus amigos, suas farras... E você? Você não! Foi gratificante ouvir sair da sua boca que você realmente não era uma pessoa “namorável”. Fui obrigado a concordar com você! A verdade é essa...

Eu me curvei à você e eu me desprovi por você e estou acabado
Eu me deprimi por você e me contorci por você e estou acabado
Eu me reprimi por você e eu cedi por você e estou acabado
Eu me calei por você e me sacrifiquei por você e estou acabado


Esse, talvez, fosse o momento em que expressaria toda a minha raiva em relação a você. Mas, não sei bem o porque... Não consigo sentir raiva de você. Acho que vale a pena recordarmos os bons momentos – que foram alguns. Lembrar do nosso primeiro beijo, da nossa primeira transa, do nosso primeiro passeio de carro... Você se lembra daquele beijo no sinal fechado? E aquele na fila do Mc Donalds... No meio de um show, lembra-se? Tenho certeza que você também não vai conseguir esquecer de nada disso...


Não vai demorar até eu ficar recuperado
Não vai demorar e estarei na estrada novamente
Não será fácil para nós nos separarmos
Eu estou no fim do estágio de auto privação


Quem seria o culpado pelo fim? Os dois, né? Mas não é hora de culpar ninguém. Queria te pedir desculpas por, de alguma forma, ter te feito gastar seu tempo comigo. Não queria que considerasse isso como um tempo perdido. Queria que visse o tempo que passamos juntos, como um investimento... como uma tentativa de sermos felizes, como a chance de nos completarmos...


Você tem medo de qualquer outro homem e de seus próprios trabalhos internos
Você se intimida com a idéia de morar debaixo do mesmo teto que eu, Deus e tudo
Um milhão de vezes e um milhão de maneiras eu tentei me alterar para combinar com você
Várias vezes, todos os vários dias eu tentei me desapaixonar de você...


Vamos pensar que encerramos um ciclo? Nossa etapa como namorados, passou. Sei que poderemos ser amigos um dia... Um dia, quando a dor de não ter você não doer tanto como dói hoje. Um dia, quando formos maduros o bastante para compartilharmos alguma coisa, mesmo que seja apenas a amizade.

Agora, acredito que o melhor é nos afastarmos. Vamos nos dar um tempo pra cada um tocar sua vida da maneira que achar que deve. Desejo a você toda a felicidade do mundo, assim como desejo toda a felicidade àquelas pessoas que são importantes na minha vida.

Espero que seja a coisa certa a ser feita. Sejamos felizes...

Théo.



Obs: Escrevi esse texto motivado pelo post do Caco. Ele me indica pra receber um meme que foi criado por Daniele Vieira. Nele, os indicados devem fazer uma carta como se rompessem com um certo alguém. A idéia foi inspirada na exposição Cuide de Você, da francesa Sophie Calle, que convidou 104 mulheres para interpretarem um e-mail de seu ex-namorado que gostaria de romper o relacionamento de ambos.

As regras do meme são as seguintes:


1 - Escrever uma carta como se você estivesse rompendo com o seu (sua) namorado(a);
2 - Escrever estas regras e uma breve explicação do que é o meme (como a que fiz acima);
3 - Indicar cinco pessoas.

Meus indicados:

O Holograma

Estórias do Mundo

Identidades Fragmentadas

Eggo

Diário de um Arcanjo