domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre pessoas - parte IV

Querido Marcus,

Você balançou o meu mundo. Você tinha aquele seu jeitinho carismático com as pessoas, conseguiu me fazer pensar bastante sobre espiritualidade e não me deixaria fugir por aí me ferrando, mas, no entanto, eu nunca pude me sentir completamente relaxado sabendo que você me vigiava. Isso impediu que continuássemos de onde a gente estava... O que foi muito ruim, já que poderíamos ter muito mais diversão.


Parece brincadeira que, depois do meu “namoro virtual” de nove meses, eu ainda pudesse me envolver com alguém de longe. Mas, por pior que pareça, foi assim que conheci o Henrique. Numa noite de tédio, carência, loucura, depressão ou, sei lá o quê, estava eu numa sala de bate papo. Sempre intencionado a dizer que procuro alguma coisa séria, ou a fugir quando rola uma proposta para algum encontro sexual àquela hora da madrugada (independente de qual hora da madrugada é aquela).

De todas as pessoas com as quais eu conversei aquela noite, o Henrique foi o único que durou alguns minutos. O único que não me mostrou uma foto dele pelado e nem pediu pra ver uma foto minha pelado. Acho que isso pode ser alguma coisa boa.

Ele era mais velho que eu, mas não me lembro ao certo qual era a sua idade. Perguntou se eu tinha problemas com a diferença na idade e eu disse que não, afinal, ele morava no Rio de Janeiro. A diferença de idade pouco importaria... Era sempre bom conversar com pessoas inteligentes e interessantes, mesmo que tenham a idade pra ser seu pai.

Até então, meu interesse por ele era só amizade. Não sei como surgiu, mas sei que ele disse estar interessado por mim. Como namorado. Que estava disposto a vir me visitar em BH, que tinha alguns amigos que moravam aqui, que viria no próximo fim de semana e que nos encontraríamos...

Eu fiquei tão sem reação, que não disse que não. E, assim, a coisa aconteceu. Eu tinha mais um namoro virtual. Parabéns, Théo! Outro fracasso estava por vir...

Eu estava “acostumado” com os bolos do meu ex-namorado. Não esperava que o Henrique estivesse realmente disposto a encarar um namoro à distância. Mas ele estava. E muito.

Pediu meu telefone. Eu dei. Ele ligou. Conversamos. Ele me elogiava. Eu desconversava. Dizia a ele que não era tão interessante quanto parecia ser pela internet, mesmo afirmando que não havia mentido pra ele em nenhum momento.

- “Você é do jeito que você foi comigo nas nossas conversas por MSN?” – perguntou.

Quando eu disse que sim, ele disse então, que não se importaria com mais nada. Que meu jeito, fisicamente, não tiraria o encanto que ele sentiu por mim através das nossas conversas.

As ligações foram ficando mais constantes. Diárias. E eu fiquei assustado com aquilo. Comecei a dizer que não estava, a não atender a ligação, a tentar terminar com aquilo tudo... Mas ele continuava com sua marcação!

Um dia recebi um recado de minha mãe, querendo saber quem era um “tal” Henrique que já tinha me ligado duas vezes. Eu desconversei... Nem me lembro qual a desculpa usei.

Pouco depois ele ligou novamente e eu pedi pra que ele parasse de ligar. Nenhum amigo nunca havia me ligado tão insistentemente. Minha mãe já estava desconfiada.

Pra minha surpresa, a reação dele foi pior do que eu pensei. Me falou que eu estava o fazendo de bobo. Que, quando não atendia o telefone, ou estava em casa, estava “por aí”, com outra pessoa.

Não havia outra pessoa.

Então eu tomei coragem e falei que não queria namorar com ele. Que, se ele quisesse, poderíamos ser amigos mas, eu entenderia se ele quisesse se afastar de mim.

E foi o que aconteceu. Ele se afastou. Disse que não me queria como amigo, que o que ele sentia por mim era mais que amizade e que, se eu não podia suprir suas expectativas, o melhor é que eu sumisse de vez.

Assumo a culpa dessa vez. Mas, de certa forma, não realizar o sonho de alguém não é minha culpa... As expectativas eram dele. E eu nunca prometi nada. Pelo contrário, sempre disse que achava que aquilo tudo estava indo rápido demais. Ele fez sua escolha e, depois disso, nunca mais voltamos a conversar. E, assim, terminou mais um “namoro”.

Ele era possessivo. Ciumento. Acho que, naquele momento, eu não estivesse preparado pra isso. Ou, talvez, a dor pelo fim do outro namoro ainda era maior do que eu queria que fosse. Isso impediu que continuássemos de onde a gente estava... Poderíamos ter tido mais diversão, mas eu nunca poderia me sentir completamente relaxado sabendo que ele me vigiava. Mesmo de longe.

Espero que o Henrique tenha encontrado um cara bacana, que fosse o que ele sonhava. Ficaria feliz em saber notícias dele.

Até a próxima, e última, parte!

8 comentários:

J. M. disse...

Amigo...Nossa, combinamos o post é? O meu último foi bem parecido com o seu. Apesar de nosso desejo de encontrar alguém, quando aparece alguém neste estado de carencia, que te liga, te cobra, te vigia, ficamos assustados e pulamos fora sem pestanejar. Admito meu lado carente, mas não há condições de dois carentes ficarem juntos dessa forma. É preciso um pouco de equilíbrio de uma das partes pelo menos. E nesse sentido, nós fomos a parte equilibrada. Abração, querido. Saudades.

FOXX disse...

pois é, amigo, pois é...
me lembrou meu ex tb
sobretudo a parte do ciumento e possessivo...

Rodrigo disse...

O que seria de nós sem essas histórias, não é?

Caco disse...

Quando for pra ser, quando for pra ser de verdade, o trem vai desenrolar e dar certo. Fique tranquilo. Agora, somos todos uns bichos carentes querendo sempre encontrar conforto na ilusão de ter alguém ou se sentir pertencido. E, nessa busca desesperada, às vezes acontece isso que aconteceu com você.

Ilusão, ilusão, ilusão.

Doce - ou amarga? - ilusão.

Vamos começar primeiro a aprender a nos amar, a nos respeitar. O resto virá depois como consequência.

Rajeik disse...

"não realizar o sonho de alguém não é minha culpa..."
Ta ae uma coisa que concordo.
Acho que se nao com voce talvez seria com outro. E talvez tbm nem ele proprio estava preparado para namoro.
Complicado.
Sem sintonia nao tem jeito. cada um tem que ter seu espaço e possessao nao é legal.

Tem uma cantora que gosto muito que tem a seguinte trecho em uma das suas musicas.


"People will go
People will come"

Eu ainda acho esquisito, mas é assim que funciona. grande abraço!

Atreyu disse...

Essa da mãe qrer saber qm é.. e por aí vai..sahusahus.. acho q todo mundo já passou por isso

Leonardo Filizolla disse...

'Deixa estar que o que for pra ser vigora' já diz Maria Gadu.

Belo post.

Paula disse...

Um ótimo 2011!

Beijo =)