segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Meu caro amigo

Belo Horizonte, 15 de setembro de 2008.

“(...)Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas(..)”.

Começar a carta com Chico Buarque me lembrou de um dia em que, sentado com alguns colegas de trabalho, 'héteros", e um pouco de cerveja na cabeça, começamos a falar do Chico. Dizer que ele compõe muito bem e entende a alma feminia. “Ele come quem ele quiser”, disseram alguns, até que outros confessaram: “Eu daria para o Chico”.

Mas não é sobre isso que quero escrever. Não nessa carta. Quero falar como as coisas mudam com tanta velocidade. Quando tudo parece ir mal, a vida apronta alguma coisa pra nos surpreender. E quando essa surpresa parece estar se encaminhando para uma coisa boa, volta a vida e dá um cruzado de esquerda bem no nosso queixo.

Poucos dias depois daquilo que contei na última carta, fui com uns amigos a uma balada. Território inimigo. Um bar/boate “alternativo”, freqüentado por alguns colegas “héteros” da faculdade. Se me encontrasse com algum deles por lá, seria, no mínimo, contrangedor. Sorte minha (ou não), não vi nenhum conhecido aquele dia.

Bar legal, música boa, lugar lotado... Eu, pra variar, com vontade de beijar... Depois de algumas tentativas frustradas de trocar olhares com algumas pessoas, já tinha me conformado que voltaria pra casa sem nada... sem nenhuma história pra te contar.

“(...)Aqui na terra tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer
que a coisa aqui tá preta(...)”

No empurra-empurra do lugar, percebo que um carinha se esfregava em mim. Vi que ele estava acompanhado por alguém que, até então, não conseguia saber se era apenas um amigo, ou um namorado. Eles bebiam a mesma cerveja e trocavam tragos de um mesmo cigarro. Coisas de amigos. Coisas de namorados. Como saber? Fiquei com medo de apanhar do ‘namorado’, mas o cara insistia em se esfregar. Comecei a achar graça da situação e até cheguei a imaginar que eles queriam me propor um ménage a trois.

Entrei no jogo. Ele se esfregava e eu me esfregava. O “empurra-empurra” tinha se tornado um “esfrega-esfrega”. Coisa boa, né?! Quando eu tentava beijá-lo, ele se virava e fugia. Na verdade, eu trocaria todo aquele sarro na pista por um beijo. Mas ele não queria, então, vamos nos esfregar!!

Depois que tentei beijá-lo pela primeira vez, ele, que estava bêbado, se afastou. Desencanei. Já não esperava nada mesmo pr’aquela noite.

Quando penso que não, volta o cara. Se esfregando de novo. No ritmo da dança... Aproveitei. Peguei em sua bunda, alisei sua barriga, seu peito, beijei suas orelhas e sua nuca e, quando fui em direção à boca, ele, novamente, recuou.

- Você tá querendo se aproveitar de mim! – ele disse

- Eu? Tô nada... Se quisesse me aproveitar de você, faria muito mais!

Dei-lhe um beijo de surpresa! Não foi um beijão. Mas também não foi um selinho. Ele se afastou.

“Vai à merda” – pensava – “Vai fazer outra pessoa de palhaça”. Saí de perto e meus amigos e eu, decidimos ir embora.

Enquanto atravessava a pista, em direção à saída, o vi dançando e resolvi dar um tchau, meio como uma esnobada. “...Baba baby, olha o que perdeu...”. Ele me pegou pela mão e disse bem perto do meu ouvido que ainda era cedo, e pediu pra eu ficar mais um pouco.

- Queria um beijo de despedida, não vou ganhar? – perguntei

- Hoje não pode! – disse sorrindo

- Então tchau... – e beijei-lhe o rosto

Quando me virei ele me puxou pelo braço.

- Anota meu telefone... Rafa!

Anotei e perguntei, novamente, se não ganharia nenhum beijo.

- Hoje não! – respondeu

No outro dia, à tardinha, mandei uma mensagem no celular: “Só pra vc anotar meu número. Sou o Theo... da boate...ontem! Bjo”. Pouco tempo depois ele me dá um toque no celular. Retorno a ligação. Pouca conversa. Ele parecia estar bêbado de novo. Disse que eu morava longe e, se não me engano, falou algo como “queria você perto agora”.

A ligação caiu.

Eu logo imaginei que ele quem tivesse desligado o telefone, e não estivesse querendo conversa e, por isso, não liguei mais.

Durante a semana ele me liga. Diz que estava mal aquele dia, que tinha bebido muito e que não se lembrava de mim na boate.

Estava só começando... prometo de vou contar tudo!

Em breve!

Até a próxima.

“(...)A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus (...)”

7 comentários:

dW disse...

se carta tivesse campo assunto igual e-mail você poderia colocar: rela rela. gostei das cartas... vou bicar mais vezes. bjos

Leo disse...

Tava com saudades das suas cartas Theo!
Tô louco de curiosidade pra ler o resto! Conta logo!
bjs

dW disse...

thanks for the visit! vc tb ta nos favs! bjo

Luan disse...

opa... tempao sem cartas!

boa sorte hein?

conta tudo depois.

bração!

Lucas disse...

Queremos mais, queremos mais!

Ansioso já...

Mas peraí, ele não lembrava de nada? Isso tá meio estranho hein...

Abraço,
Lucas.

Identidades Fragmentadas disse...

Sempre tratando de assuntos que trazem a curiosidade humana

Timmy, o Provinciano disse...

É, a vida é cheia de surpresas... Fazia tempo que não passava por aqui... E fiquei curioso pelo resto da história. Não demore a contar!
^^