terça-feira, 29 de abril de 2008

A vida continua...

Belo Horizonte, 29 de abril de 2008.

Quando conhecemos uma pessoa e passamos a ter algum tipo de sentimento por ela (não me referindo apenas à paixão), nutrimos esses sentimentos pela nossa imaginação, pelas nossas expectativas em relação àquela pessoa. Foi assim com o Celso, aquele a quem contei na última carta. Não sei por que eu ainda gasto tempo de escrever sobre ele, mas...

Acho que não me apaixonei por ele. Fiquei foi decepcionado. Tinha vontade de conhecê-lo, como tenho vontade de conhecer vários outros amigos virtuais. Mas as coisas não correram como eu imaginava, e como ele me fez acreditar que aconteceriam.

Depois do que contei por último, resolvi deixar mais um recado, perguntando quando ele voltaria para Portugal. Ele me respondeu, dizendo que a gente poderia se encontrar nó penúltimo fim de semana do mês, já que no último, ele embarcaria para Lisboa. Começou ali: depois de três meses no Brasil, foi-me “reservado” o último fim de semana livre... O convite ficou só naquele depoimento no orkut! Ele sumiu mais uma vez.

Perguntei Rajeik e Foxx se deveria ligar ou não para ele e convidá-lo para sair comigo. Os dois disseram que não! Na verdade, foi melhor... Queria ligar, mas, ao mesmo tempo, tinha medo de ouvir outro “não”. Isso só me deixaria mais triste. Decidi seguir os conselhos dos meus amigos e não ligar. Ele não demonstrou nenhum interesse por mim. Nenhuma vontade de tornar física a nossa amizade virtual, que parecia tão bacana. Nem mesmo quando aparecia no msn usando o nick “Tô afim”- uma forma mais educada de dizer “quero sexo hoje”- ele se lembrou de mim. Sempre ficava offline quando eu aparecia. Só espero que ele não seja bobo o bastante para pensar que eu não percebi que estava sendo evitado o tempo todo.

Tudo o que aconteceu com esse caso, me fez me sentir mal. Mal por não saber o que aconteceu pra ele ter tamanha desilusão comigo. Pela internet parecia tão legal, tínhamos assuntos em comum e gostos parecidos... Qual será o motivo? O que será que eu fiz que o desagradou tanto? Ou será que tinham várias outras pessoas “afim”, que nem sobrou tempo pra conhecer um amigo? O Rajeik tenta me consolar, dizendo que “quem perdeu foi ele”. Será??

Por falar em Rajeik, quero aproveitar para agradecê-lo! Meu amigo! De verdade, e pra sempre!! Não só a ele, mas ao Foxx e ao Brunno, que me deram, sem dúvidas uma das melhores noites dos últimos tempos!! Quero que elas se repitam por muitas outras vezes. Me mostraram que bons amigos ajudam a superar as crises de carência.

Por incrível que pareça, não estou triste. Acho que estou em um momento feliz da minha vida... a carência continua,mas, pelo menos, há outras coisas boas acontecendo em outros campos da vida!

Ao Celso, desejo felicidades. Espero ter a oportunidade de conversarmos ainda, alguma vez... Fico com a “consolação” do Rajeik, com o pensamento de que “quem perdeu foi ele”!

E vida continua, e a pergunta que fica é: Por que as pessoas mexem tanto comigo?

Até!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ah... essas pequenas rejeições...

Belo Horizonte, 02 de abril de 2008

Passei por uma fase meio down desde a última carta... O tal cara que me ligou e disse querer sair comigo reapareceu só pra me deixar mal. Uma sensação de ser rejeitado tomou conta... A rejeição não veio só dele. Sabe quando você fala e ninguém te escuta? Quando uma pessoa por quem você tem muita consideração finge que você nem existe? Quando o professor te dá a menor nota da sala num trabalho, mesmo que você saiba que existem outros alunos ‘piores’ que você? Ou quando uma tia passa de carro enquanto você espera o ônibus e finge não te ver só pra não ter que te dar carona? Isso tudo pra mim pareceu rejeição... E foi assim que estava me sentindo de uns dias pra cá.... Vou explicar um pouco!


(Todas essas pequenas rejeições, como elas aumentaram tão rapidamente. Uma pequena olhada de lado e eu me sinto tão mal. Em algum lugar no meio do caminho eu acho que te dei o poder de fazer eu me sentir do jeito que eu pensei que só meu pai poderia...)


O Junior:

Quarta-feira:


- ­Oi! E aí, a gente vai sair? – ele pergunta pelo celular

- Claro! O dia que você puder a gente marca alguma coisa!

- Pensei em um cinema, ou um lugar mais tranqüilo pra gente poder conversar... Te ligo então na quinta ou na sexta pra gente marcar!


Sexta Feira:

- Nossa... você não acredita! Aconteceram algumas coisas hoje, e não vai dar pra sair! - disse

- Sem problemas – disse, morrendo de decepção – Depois a gente marca alguma coisa...

- Aham... Aqui, onde foi mesmo que a gente se conheceu?­ ­– perguntou

- Vixi! Nem sabe quem sou eu, né? A gente se conheceu na boate, a semana passada, lembra?

- Claro que lembro! Só queria confirmar se era você mesmo... Então depois a gente marca. Me liga amanhã?

- Sim, claro...

Percebi que ele não queria mais! No momento em que ele confirmou quem eu realmente era, deu uma “broxada”. Confirmei isso no sábado, quando liguei e ele novamente disse que não ia poder sair. Se ele não queria, não era eu quem ia correr atrás. Fiz minha parte. Não tenho orgulho em “correr atrás”, e mostrar meu interesse, nem me sinto humilhado por isso. O problema é que cada “não” só servia pra aumentar a decepção e a rejeição.


(Todas essas pequenas rejeições, como elas parecem tão reais para mim. Um aniversário esquecido e eu sou tudo menos uma pessoa. Como esses pequenos abandonos parecem me ferir tão facilmente. Tenho 13 anos novamente, eu terei 13 anos para sempre?)

O Celso:

A gente se conheceu pelo msn por intermédio de um amigo em comum. É mineiro, mas mora em Portugal. Estava com viagem de férias marcadas pra BH. Nunca conversamos sobre ficarmos. Falamos de nossas experiências e das nossas expectativas para um relacionamento. Tínhamos muita coisa em comum, mesmo assim, nunca foi falado que quando a gente se visse, rolaria alguma coisa. Mas, de todo jeito, a amizade já existia. Disse que quando chegasse em BH iríamos nos ver.

Sem expectativas de encontrar um namorado, tinha a intenção de conhecer um amigo. Comprei-lhe um presente. Um livro: “O segredo da vida”.

Ele estava em BH. Logo nos primeiros dias ele me pediu meu telefone e me ligou. Ficamos por quase meia hora falando sobre a viagem, a saudade da família e outras coisas. Novamente, nada foi dito sobre a gente ficar, apenas nos ver, conversar e entregar o presente.

Passados uns dias, percebi algo de diferente nele. Um simples “oi” que lhe enviava pelo msn já era o bastante pra ele me responder: “Oi, td bem? Tenho q sair agora. Depois conversamos”. Eu, como sempre, tentava ser compreensivo e e dizia que estava tudo bem. “Só não pode ir embora sem pegar seu presente!!”, dizia tentando descontrair.

Passaram-se mais dias, e continuava com a sensação de que Celso fugia de mim... De novo, decidi não correr atrás. Um dia o vi online e aproveitei para dizer que não queria que ele me visse como uma obrigação, que não queria parecer que estivesse cobrando nada e que, se ele não quisesse me ver, bastava dizer. Ele disse que não era isso. Queria me ver, mas faltava tempo.

Desse dia até hoje nunca mais nos falamos. Também não puxei papo. Assim como com o Junior, me coloquei a disposição para o dia que ele tiver tempo e quiser me ver. Tento colocar na minha cabeça que, se alguém perdeu alguma coisa, esse alguém foi ele (e não estou me referindo ao livro!). No fim do mês ele volta pra Portugal... vamos ver o que acontece até lá...

 
(Eu posso parecer tão sem-graça para alguém tão bonito.
Tão mal-amado para alguém tão legal.
Eu posso parecer tão chato para alguém tão interessante.
Tão ignorante para alguém com a mente tão boa...)


O Gar

Esse foi o único cara que eu realmente amei. Nossa história é polêmica, e muitos não entendem, e até me condenam, mas eu o amei (?). No fim do ano passado tivemos uma briga, quando cada um falou o que quis, e escutou o que não quis. Terminou tudo ali. (Numa outra carta falo mais sobre isso). Pouco antes do Natal, eu lhe mandei um e-mail desejando boas festas, e pedindo desculpas pelas besteiras que falei. Ele respondeu. Continuamos trocando e-mails até ele confirmar, como ficou decidido na briga, que excluiu meu endereço na sua lista de contatos do messenger. Disse que me adicionaria novamente e que, em breve, conversaríamos. As conversas continuaram apenas por email, onde achávamos graça sobre nossos desencontros virtuais.

Num sábado à noite, um dia que finalmente, criei coragem e decidi sair com Rajeik e Foxx, ele ficou online. Meu coração disparou e (juro!) cheguei a pensar em desistir de sair e ficar em casa, pra matar a saudade. Ele é daqueles que vai mexer comigo pra sempre...

Acho que ele apareceu só pra me deixar feliz, tanto que depois disso, não apareceu de novo até hoje!

Fui ao encontro mais feliz. E partimos em direção à boate. A última noite antes da casa fechar. A noite prometia...

(Todas essas pequenas proteções, como elas falham em satisfazer-me.
Um
telefonema esquecido e eu sou ridicularizado.
Todas essas pequenas defesas, como elas falham em confortar-me.
Sua
mão vai embora e eu fico desolado...)


O Leonardo:

A boate estava lotada. Dancei com os amigos, conversei, conheci novas pessoas, me diverti. Ninguém ainda tinha olhado pra mim. Comecei a lembrar do “Gar” que ficou em casa... Comecei a ficar triste. Bateu a carência.

Rajeik se ajeitou com seu príncipe Brunno. Fiquei feliz por ele. Por ele. Eu mesmo não estava muito feliz...

De repente, vi que tinha um cara me olhando. Chegamos a esbarrar nossos braços, mas não tinha coragem de chegar.

- Vá lá fora, menino! Você precisa de uma cerveja!­ – me disse Foxx.

Eu fui. Mas a bebida tinha acabado. Nada de álcool. Se quisesse, teria que agir totalmente são. Voltei pra pista e continuei o encarando de longe. Ele correspondia. Mas era muito bonito! Aquilo não era pra mim... Só conseguia pensar no “fora” que levaria quando tentasse alguma aproximação.

Rajeik me pega pelo braço e me leva pra fora da pista. Conversamos. Ele diz que tem me achado triste há algum tempo. Digo que é verdade, que não estava mesmo muito bem, mas que iria ficar. Ele já sabia das outras histórias. Voltamos para a pista.

Assim que cheguei, parei de frente ao cara. Leonardo o nome dele. Decici: “ou vai ou racha”. Demorei alguns minutos até criar coragem:

-“Tá sozinho?” – perguntei

- “Tô, por que?”

- “Sei lá – pausa, completamente sem graça – Pra gente conversar...”

- “Eu acho que tem coisa melhor pra fazer do que conversar, não?” - me disse com olhar meio sedutor.

- “Tem?!”

Nos beijamos.Não pude conter a risada quando percebi que estava beijando um cara tão bonitinho... Nunca alguém bonito tinha sequer olhado pra mim!

Ficamos juntos o resto da noite. Falamos sobre relacionamentos sérios e promiscuidade. Alternados com trocas de elogios.

-“Sua boca é linda” ­– dizia enquanto passava a mão em seus lábios

-“A sua também! E que sorriso é esse, hein?!”

Perto de ir embora, pedi seu msn. Ele disse que anotaria o meu, e entraria em contato. Deu hora de ir. Eu fui e ele ficou. Saí da boate feliz, porém, sem esperanças de voltar a vê-lo. No momento em que ele disse que iria me adicionar, percebi que ele, talvez, não quisesse voltar a me ver, e fiquei tranqüilo com relação a isso.

Notei que tive uma evolução! Passei uma noite feliz, recebi carinho, de um cara lindo (ou o mais perto de “lindo” que eu já cheguei) e não terminei a noite carente... apaixonado... A lição que fica é a de que todo sofrimento serve para a nossa evolução.

Vou tentar administrar melhor minha carência. Ela ainda existe, com certeza... Tem dias que ela “grita”... Outros ela fica mais calma... Só tenho que mostrar quem é que manda em quem!

(Todas essas pequenas projeções, como elas continuam nascendo de mim. Eu salto da minha embarcação enquanto eu levo isso pessoalmente. Todas essas pequenas rejeições, como elas desaparecem rapidamente no momento em que eu decido não me abandonar...)

Até a próxima!