É impossível não deixar que o ambiente externo me influencie nas cartas que te escrevo. Não queria ate aborrecer com meus problemas ou dramas, mas, talvez, por uma onda de “depressão” que se apossa de mim, essa carta tenha menos coisas boas do que eu desejaria te contar.
Não há nada de ruim comigo. Mas também não há nada de bom. A verdade é que nada acontece e isso me traz certo desespero.
As conversas no MSN com o rapaz que conheci na festa, e que te contei na última carta, esfriaram. Hoje, ele quase nem me cumprimenta mais. Pra compensar, apareceu outra pessoa. Me enchi de expectativas. E? Adivinha? Vou te contar...
Ele me adicionou no MSN com um recadinho simples: “Oi, quero conversar com você”. Eu nem me apressei
Duas semanas depois, quando ainda não tínhamos nos encontrado online, recebo uma outra mensagem dizendo que ele ainda queria conversar comigo. Vi que, realmente, deveria haver algum interesse. Caso contrário, ele não iria me procurar. Dessa vez eu respondi e perguntei qual horário seria mais fácil de conversarmos. Sabendo disso, na mesma semana fiquei online e conversamos.
Logo no primeiro papo eu fiquei confuso. Um cara de 20 anos poderia mesmo querer algo sério? Ou mesmo que não fosse sério – afinal, nem falamos sobre isso – ele era diferente dos outros rapazes de 20 anos que eu conhecia até então. Ao mesmo tempo em que me senti empolgado, vi que, talvez, não pudesse ser aquilo tudo que eu esperava.
A verdade é que eu ainda não aprendi como não ter expectativa. E, no meu caso, expectativa é só um aviso de que vem decepção pela frente.
Com um pé atrás, continuamos conversando todos os dias. E ele, pra acabar de me confundir, era sempre carinhoso e atencioso comigo. Combinamos de, talvez, pegarmos um cinema para nos encontrarmos.
Semana corrida: ele estava cheio de provas e trabalhos na faculdade. Eu, compreensivo, fui adiando a saída. Não acho que fiz errado. Eu sempre dizia que, quando as coisas se acalmassem, queria muito vê-lo, sempre brincando e dizendo “se você ainda quiser me ver”.
Na semana de provas, a semana passada, conversamos poucos. Eu não queria atrapalhar e acabar sendo chato, então, decidi ficar por na minha, sempre disponível pra quando ele quisesse conversar. E ele realmente precisou. Ele dizia estar meio desesperado com as provas e tinha medo de ser reprovado. Eu, daqui, o aconselhava a ter calma e paciência por que as coisas realmente não seriam fáceis ao longo do curso, mas que, as dificuldades não deveriam ser motivo para a desistência.
Assim a semana se passou. Agora as férias chegaram e, de alguma forma, o papo esfriou. Eu propus de sairmos - quando ele quisesse - e a resposta foi um “não sei se posso sair”.
Sinto que, talvez, ele possa estar me evitando, mas, às vezes acho que isso pode ser cisma da minha cabeça.
Não é a primeira vez que conheço alguém, conversamos pela internet e o papo acaba nem de se tornando real. Agora quero que você cumpra o seu papel de amigo e me responda: a culpa é minha?
Nossa! Quanto drama, hein? Prometo que da próxima vez vou exagerar menos.
Até.