domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sobre as voltas que a vida dá...

Há tempos venho precisando sair. Dar umas voltas. Tomar uns goles. Dançar. Conhecer pessoas novas. Dar vários beijos na boca. Ter uma noite intensa de sexo...

Por isso tudo, eu resolvi deixar a preguiça de lado e aceitar o convite de dois amigos meus. A boate de sempre. A noite em BH era quente. A boate lotada e um calor de deixar as pessoas completamente molhadas de tanto suor. Música. Gente bonita. E ele. Com sua boca. A mais bonita da boate inteira.

Ele usava uma máscara de carnaval (Sim. Era um baile de máscaras!) e a primeira coisa que pude reparar foi na sua boca. O rapaz era bonito e eu não me achava merecedor de tudo aquilo.

Meu tom de voz se elevou um pouco demais quando eu gritei pra um dos amigos que me acompanhavam: “Não consigo parar de olhar”.

Ele também estava com uns amigos e eu o vi conversando com uma menina que, de repente, me olhou. Sorri sem graça, com se tivesse sido pego em flagrante. Envergonhado, desviei o olhar e me concentrei na dança. Garrafa de cerveja em mãos.

Faltando uns dois goles pra terminar a cerveja, tentava criar coragem pra me aproximar dele e dizer que, “não sei se é uma cantada, mas sua boca é linda”. Enquanto estava meio perdido em meus pensamentos, meus amigos foram ao bar e eu fiquei sozinho.

Ainda faltava um gole de cerveja e meu coração começava a disparar.

Agora meu coração disparava muito.

O rapaz, com sua máscara, sua boca e tudo o mais, se aproximava de mim. Confuso com as luzes piscando, tive uma breve dúvida se ele realmente se vinha na minha direção, mas, quando vi, ele já estava com o rosto bem perto do meu. Meu coração parou de bater por uns três segundos. Beijo.

Os beijos demoraram um pouco até que ele cochichou ao meu ouvido: “Daqui a pouco eu volto”, colocou os dedos sobre a boca e me mandou um beijo.

Fiquei em dúvidas se “daqui a pouco eu volto” haveria ou não de ser um fora. Mas fiquei tranqüilo. Ele continuava próximo a mim, não fora dar nenhum outro beijo boate afora. Eu o tinha sob meu campo de visão, mas fiquei totalmente sem saber o que fazer. Só sabia que não podia me comportar como um namorado.

Alguns minutos depois, resolvi me aproximar, contei da minha tentativa frustrada de cantá-lo e, por fim, elogiei sua boca. Ela realmente me impressionara. Mais beijos.

- “Preciso de água” – disse ele, por fim – “Já volto”.

Eu já tinha ganhado a noite. Mesmo se aquilo fosse um fora, eu já preparava o próximo flerte. Até que meu coração parou de bater por mais três segundos.

Um abraço.

Demorou um tempo pra ficha cair, o coração voltar a bater, o oxigênio chegar até o cérebro e eu ver que a pessoa que me abraçava era o Rafael. Acho que fiz cara de bobo enquanto ele sorria, me abraçava e dizia estar com saudades.

A primeira coisa que fiz, foi colocar na minha cabeça que eu não podia deixar que o Rafael estragasse minha noite. “Ele não pode ter esse poder de me balançar pro resto da vida! Seja firme, Théo! Não liga pra ele. Se concentra na boca. Rafael já era...” – pensava enquanto minhas pernas tremiam, entregando minha ansiedade.

Rafael saiu de perto e eu continuei dançando. De repente ele chegava, me dava umas ‘encoxadas’ e saía de novo. Não dei bola. Não mesmo.

Estava dançando com meu amigo quando ele apareceu, passou a mão pela minha cintura, se aproximou do meu ouvido e perguntou se meu ‘namoradinho’ não ficaria com ciúmes dele. Fui seco ao dizer que ele não era meu namoradinho, era meu amigo. Dei as costas e voltei a dançar, mas a vontade era de gritar: “e o seu “namoradinho”? Não vai sentir ciúme de mim? Onde ele está enquanto você fica aqui, se esfregando comigo?”. Mas não compensava.

Não tava mesmo disposto a dar chance de o Rafael estragar minha noite. Tanto que fiz que não vi quando ele deu o maior beijão numa menina.

Até a música estava ao meu favor. Não posso negar que gostei e fiz coro quando a Gaiola das Popozudas cantou: agora eu sou piranha e ninguém vai me segurar... Me empolguei. Música de baixo nível cai bem, em algumas ocasiões.

Puxei o garoto pela mão e começamos a dançar. Ele à frente. Eu por trás, enquanto passava a mão pela sua barriga, sua bunda... De repente escuto “Théo” e uma cara de espanto do meu amigo. Vi o Rafael se aproximar. Passar por mim e se virar para me olhar enquanto seguia seu caminho até o bar. No meu íntimo mais íntimo, eu sorri.

Feliz, virei o cara e o coloquei contra a parede. Vim por cima e encaixei nossas coxas. Os beijos estavam mais quentes. As mãos, mais ousadas. Enquanto minha língua procurava sua orelha, a mão descia por dentro da calça procurando outra coisa. Não era só a boca que era boa. Não mesmo... [Gaiola das Popozudas agora vai fala pra tu: se elas brincam com a xereca, eu te dou um chá de...] Chá de nada. Ele saiu de perto e foi ao bar buscar outra água.

Continuei dançando. E o Rafael voltou a se aproximar.

- “Eu preciso de um homem! Por que essa garota fica andando atrás de mim?” – ele perguntou. A menina que ele havia beijado – uma amiga, segundo ele - estava ao seu lado, com uma cara de velório.

- “Eu não sirvo mesmo pra você, não é? Então, boa sorte na sua busca” – respondi com um sorriso o mais irônico possível.

Logo ele saiu de perto. E eu já estava querendo ir embora. Eu vi meu “pegada” passando por mim, mas não o vira mais. Seus amigos também não estavam mais por lá. O mais certo é que ele tinha ido embora. E eu nem ao menos sabia o nome da pessoa que tinha feito minha noite ser tão legal.

Subindo as escadas, dei mais uma procurada, mas não o encontrei. Queria me despedir. Dar um beijo... Agradecê-lo pela noite. Havia sido realmente legal. Chegando a porta, vejo Rafael sentado. Me aproximei pra me despedir e ele segurou minhas mãos, fez uma expressão (que quase me convenceu ser) de tristeza e pediu pra eu não ir.

- “Cadê sua amiga?” – eu perguntei

- “Lá embaixo, dançando...” – respondeu.

Eu disse que precisava mesmo ir embora, pois já estava cansado. Meus pés doíam, embora me sentisse leve. Dei um abraço nele e já ia saindo de perto quando ele me puxa pelas mãos.

- “Me dá seu telefone... Eu perdi” – falou.

Passei o número. Por um segundo, pensei em dar-lhe um beijo na boca e sair, sem nem olhar pra trás. A idéia logo passou, eu me abaixei, o abracei, dei-lhe um beijo no rosto.

- “Bom te ver! Depois a gente se fala...” – disse, dando uma piscadinha.

Não agi assim por mal. Não tinha vontade de me vingar. Agi pensando no meu melhor. Não posso ficar pra sempre à mercê do Rafael e suas mudanças constantes de humor. Enquanto deixava a boate pra trás, na companhia dos meus amigos, aproveitei o silêncio da madrugada pra pensar pensei se a vingança teria um gostinho mais ou menos parecido com esse...

Eu queria andar na linha, tu não me deu valor. A música não saía da cabeça. Definitivamente, música de baixo nível cai como uma luva, em algumas ocasiões.

Até a próxima.

9 comentários:

Paulo Braccini disse...

E assim caminha a humanidade ... já vivi algo bem semelhante ...

;-)

Marcelo R. Rezende disse...

Vingança não precisa ser premeditada, às vezes, do nada, a chance ns alcança e pronto, está feita.

Adorei.

Beijo.

J. M. disse...

Confesso: também adorei! Precisamos mostrar a essas pessoas que não estamos a mercê de suas vontades. Arrasou! Abração e saudades.

FOXX disse...

muito bem! aproveitou a noite!
agora, pra quê dar o número de novo a ele?

Wattarit disse...

E como já havia dito, a noite do "troco" e tudo sem intenção mesmo, te conheço e sei que nao faria isso intencionalmente.
Tnho que admitir que gostei muito do ocorrid. kkk...ja acompanhei essa historia de perto..e sei dos detalhes né? rsrs

Engraçado que a teoria do " tudo que vai volta" talvez esteja saindo do meu grupe de teorias sem lógicas...nao sei...

E quanto ao Rafa detonar sua noite, eu tava de olho em vc e se ele fizesse a voadora ia comer solta. }:D

Bom é isso. Noite boa aquela.

Wattarit disse...

E como já havia dito, a noite do "troco" e tudo sem intenção mesmo, te conheço e sei que nao faria isso intencionalmente.
Tenho que admitir que gostei muito do ocorrido. kkk...ja acompanhei essa historia de perto..e sei dos detalhes né? rsrs

Engraçado que a teoria do " tudo que vai volta" depois dessa, talvez esteja saindo do meu grupo de teorias sem lógicas...nao sei...

E quanto ao Rafa detonar sua noite, eu tava de olho em vc e se ele fizesse a voadora ia comer solta. }:D

Bom é isso. Noite boa aquela.
E que venha mais noites quentes e mais bocas bonitas. =P

Talita disse...

Já que o Theo já não me conta nada,tenho que vir até aqui pra me atualizar,ninguém merece esses amigos desnaturados.Bem feito pro Rafael,se fudeu, tem que continuar assim e concordo con o Fox pra que dar o numero de telefone?

Jussara disse...

impressionante os recursos que temos disponível para a libertação de alguns tumores afetivos. Só não se vale dos recursos aquele que é incrédulo ao quadrado. Temos um arsenal bélico dentro do coração para combater alguns inimigos internos e externos. Pode ser uma música ridícula ou uma terapia...Qdo estamos predispostos e arrancar o pus vale tudo! Até as gaiolas!

Rafael disse...

meu blog voltou ao ar.
gostei do texto.
abraços.
rafa calvin