quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

"Este telefone encontra-se desligado..."

Olá amigo!

Primeiramente, desculpe-me por deixar sua curiosidade aguçada por esse tempo. Não escrevo demais em uma mesma carta para não acabar por te aborrecer com meus assuntos. Hoje voltei pra continuar a história:

Recebi a ligação do Rafael no domingo à noite, o domingo seguinte ao bolo. Quando ele me ligou eu não podia falar, atendi rapidamente e disse que ligaria pra ele assim que pudesse conversar. Em, no máximo, 40 minutos eu retornei a ligação e, para a minha surpresa, ele não atendeu. Insisti mais duas vezes. Pelo horário, supus que ele estivesse dormindo.

Liguei novamente no dia seguinte. Ele não atendeu novamente. Ao longo da semana foram algumas ligações não atendidas, várias mensagens no celular dele, um show e minha cabeça imaginando mil coisas... Eu achava que Rafa tinha se chateado comigo por não ter podido falar. Pra mim essa era a única justificativa para ele não ter me atendido ao longo da semana.

Na sexta, fim de tarde, ele me liga. Diz que esteve viajando a semana toda e agora tinha visto as mensagens onde eu dizia que precisávamos conversar.

Eu realmente queria conversar. Mas naquela sexta não dava...

“ – Amanhã?” – perguntou ele.

“ – Amanhã também não dá, tenho um programa... Pode ser no domingo?” – perguntei.

“ – Não.”

“ – Não?” – disse, meio incrédulo.

“ – Não. Você diz que precisa conversar. Vai pra gandaia o fim de semana todo e, no domingo, quando não tiver nada pra fazer a gente conversa? Não. Domingo eu não quero” – respondeu.

Eu ainda tentei argumentar, refiz o convite para ele sair comigo no sábado à noite e ele, novamente, recusou. Eu ainda falei que ele ficou fora a semana toda e que eu não me importei com isso. Engoli seco quando ele me disse que estava trabalhando, não estava passeando e, muito menos se divertindo. Senti a diferença no tom da voz dele pelo telefone.

Realmente não gostou de ser ‘empurrado’ para o domingo.

“ – Não fica com raiva...” – eu pedi.

Silêncio.

“ – Posso te ligar no domingo?” – perguntei, quebrando o silêncio.

“ – Pode, claro!" – respondeu - "E eu posso não te atender?”

Pouco depois ele desligou o telefone

Na hora fiquei triste. Bem chateado. Mas, por outro lado, achei que não deveria parar a minha vida, cancelar os meus programas e nem ficar triste por causa dele. Mandei uma mensagem pedindo desculpas. Só uma. Até o domingo, quando liguei e, novamente, não fui atendido.

Já se passaram duas semanas. Eu insisto e ele não me atende. E isso tem me feito pensar muito. Mais até do que eu queria.

Quero conversar para esclarecermos algumas coisas: o tempo, principalmente. Sei que ele sente alguma coisa por mim. Só que, se for da vontade dos dois de levar esse “namoro” adiante, temos que nos esforçar para entender a falta de tempo do outro. Ele trabalha e estuda. Eu estudo. Temos nossa “vida social” e nossa vida “nossa”, minha e dele. Temos que conciliar tudo isso e ver se realmente vale a pena...

Tô confuso! Não sei bem o que eu quero, se realmente vale a pena, e se vamos ou não ficar juntos.

Vou continuar insistindo no telefone, e forçando uma conversa... Agora só falta ele me atender, né?!

Assim que tiver novidades, volto pra te contar.

Torça por mim, para o que tiver que ser... hehe

Abraços!

Até.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Príncipe às avessas

Olá amigo! Faz tempo que não escrevo, hein?

Aconteceram tantas coisas. Vou começar pelo começo, de uma história que ainda não terminou...

Acho que já fazem umas duas semanas que eu e Rafa saímos. Tomamos umas cervejas e comemos alguma coisa. Depois saímos rodando a cidade de carro, em busca de um sorvete. Já eram mais de 22 horas. Domingo. Encontramos um sorvete no drive-thru do Mc Donald’s.
Paramos dentro do carro pra tomar o sorvete. Conversamos sobre minha irmã, nossas famílias, a volta às aulas e... nós.

Recebi uma ligação do meu pai, e teria que ir embora o mais rápido que pudesse. Fui deixar o Rafa em casa e, no caminho, fiquei calado.

De repente, perguntei se ele estava feliz.

Em algumas horas, eu me esqueço que ele é psicólogo. Minha pergunta logo foi respondida com outra pergunta... Outra pergunta que não respondia a que eu tinha feito:

“- Você quer conversar sobre isso?” – ele disse.

“ – Não... é que me deu vontade de saber. A verdade é que eu estou feliz com você, com a gente! E queria saber o que você está achando disso tudo” – contei.

“ – Eu tô curtindo...” disse.

Vi a palavra “curtindo” como uma coisa boa! Ele estava curtindo estar comigo. Ou então curtindo com minha cara. Preferi acreditar na primeira hipótese.

Ele me surpreendeu ao devolver a pergunta.

“ – E você? Tá curtindo?”

Eu respondi que sim, e ele então acrescentou que acreditava não ser o cara que eu sempre idealizei. Eu confirmei a resposta.

“ – Você realmente é diferente do cara que eu idealizei pra mim...”

“ – Poxa! Pode parar o carro que eu desço aqui mesmo...” – ele brincou.

Eu me expliquei.

“ – Sempre idealizei um cara diferente de você, Rafa. Um cara que fosse romântico, que me beijasse no meio da rua... e um monte de coisas que você não faz. Mas isso é o que eu idealizava! Eu sempre idealizei um príncipe encantado. Você é um príncipe às avessas, mas não deixa de ser príncipe! Nós sempre idealizamos as coisas perfeitas. Você não é perfeito... Mas não quer dizer que não seja bom...”

Ele esboçou um sorriso. Eu continuei.

“ – Eu tô gostando disso. De nós. De você... Tô muito feliz com a gente. Quer namorar comigo?” – falei.

Acho que nem eu esperava falar isso. Ele muito menos. Tanto que começou a gargalhar, dizendo que eu era engraçado.

Eu disse que não tinha graça! Eu falara sério... Realmente! Bem nessa hora o sinal se fecha e eu dou uma freada brusca no carro.

“ – Tá bom! Não precisa me matar! Eu quero namorar com você” – ele disse, ainda gargalhando.

“ – Eu fiz isso só pra você responder...” – brinquei.

Nos beijamos enquanto o sinal continuava fechado. Já era perto da sua casa. Na despedida ele abaixou o porta sol e encontrou um espelho.

“ - Viu como meu namorado é lindo?” – eu disse.

Ele sorriu. Pegou na minha mão e desceu do carro.

Eu ainda não via aquilo com o um namoro de verdade. Pra mim, ainda era brincadeira. Queria conversar a respeito, antes de contar pra todo mundo que eu, de fato, tinha um namorado.

Passamos a semana inteira sem nos falar. Ele viajou a trabalho e não esteve em Belo Horizonte durante esse tempo. Só na sexta seguinte nós conversamos. Eu disse que havíamos completado 10 dias de namoro e ele riu, dizendo que nem sabia que estávamos namorando. Eu contei o acontecido e ele brincou dizendo que “sob pressão não vale”.

Eu disse não haver problemas e que, oficializaria o pedido em outra ocasião.

Combinamos de nos ver no sábado. Um casal de amigos, ele e eu.

Saímos: o casal de amigos e eu.

Ele não apareceu. Não atendeu minhas ligações e nem respondeu minhas mensagens.

Saí bem puto da vida, mas decidi que aproveitaria a noite com meus amigos e um amigo bem gatinho de um deles... terminamos a noite sozinhos: eu e o amigo gatinho do meu amigo!

No domingo à noite ele me liga. E o resto eu conto na próxima carta.

Até lá...